DESAFIOS E POSSIBILIDADES DA MULHER NA MODERNIDADE: POR UMA PSICÓLOGA ONLINE

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A ideia do que é ser mulher é algo que sofreu e vem sofrendo alterações ao longo do tempo. Atualmente pode-se perceber que as mulheres vêm se reconhecendo de maneira distinta dos antigos padrões, reivindicam seus direitos e seus desejos.

Até meados do século XIX, o homem tinha controle sobre a mulher, como se ela fosse sua propriedade. Havia uma divisão clara dos papéis: o homem era o provedor, com autonomia para ditar regras e tomar decisões, enquanto a mulher era vista como reprodutora e se restringia a ser a cuidadora do lar. A mulher era reduzida à figura frágil e irracional, assim, seu papel vinha acompanhado de normas e regras a serem seguidas que definiam como seria sua vida.

De lá pra cá, bastante coisa mudou, a mulher aos poucos conquistou e vem conquistando seus lugares na sociedade. E muito se deve as lutas e reivindicações pela igualdade de direitos em relação ao gênero masculino, defendidas, por exemplo, pelo movimento feminista. O feminismo incentivou as mulheres a denunciar e questionar a submissão em todos os contextos (social, econômico, familiar e etc). Desse modo, a luta das mulheres foi além, foi em busca de libertação dos seus corpos e seus desejos, criando um novo olhar para si mesmas.

A realidade feminina obteve grandes mudanças, isso não se pode negar. Mas mesmo assim, ainda vivemos em uma sociedade em que a mulher tem muito a conquistar. Ainda existem condições desiguais em relação aos homens, como por exemplo, menores possibilidades profissionais e menores salários.

As mulheres trabalham cerca de cinco horas a mais que os homens, segundo pesquisas realizadas em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e dedicam duas vezes mais tempo ao trabalho doméstico. Apesar de trabalharem mais, elas ganham menos, sua renda equivale a apenas 76% da renda dos homens. Ainda assim, é cada vez mais crescente o número de mulheres como chefes de família, sendo ela a pessoa de referência e responsáveis pelo sustento em 40% das casas.

MULTIPLICIDADE DE PAPÉIS

 

mulher-moderna-desafios-e-possibilidadesA mulher contemporânea passou a ocupar diferentes lugares e desempenhar diferentes funções. Ela trabalha, estuda, cuida de si mesma, da casa e da família, na maioria das vezes tudo ao mesmo tempo. Portanto, a vivência feminina atual é permeada por uma multiplicidade de papéis, no qual as mulheres se tornaram verdadeiras equilibristas.

Assim, atualmente as mulheres conquistaram o direito de realizar suas próprias escolhas, têm enfrentado o mercado de trabalho e adentrado ao ambiente acadêmico, chefiam tanto suas carreiras quanto suas famílias, tudo isso em busca de novas oportunidades e possibilidades, que vieram acompanhadas também por novas responsabilidades.

A partir da inserção no mercado de trabalho, a mulher obteve algumas outras conquistas: como a ocupação de cargos e atuação em profissões até então considerados masculinas, o direito a votar e a atuação na política (mesmo ainda sendo minoria), além de obter um maior reconhecimento da sua capacidade intelectual, o que vem de encontro com a procura por mais qualificações, através de cursos técnicos e universitários, por exemplo.

O cotidiano feminino, portanto, acaba sendo caracterizado por uma jornada dupla ou até mesmo tripla de trabalho. O resultado é uma mulher muitas vezes sobrecarregada de tarefas e responsabilidades.

A partir dessas novas possibilidades, os projetos de vida da mulher moderna, também acabaram se modificando. Um desses projetos que foi diretamente impactado é a maternidade. Em virtude das demandas relacionadas aos contextos profissional, econômico ou acadêmico, cada vez mais mulheres acabam adiando o projeto de serem mães. Seja por priorizar outros momentos ou pela procura de estabilidade financeira.

Mesmo com todas as conquistas, o existir feminino ainda é permeado pelas obrigações do passado. Um exemplo é a cobrança de que as mulheres ainda continuem sendo as responsáveis por realizar as atividades domésticas e cuidar de suas famílias, sem que, muitas vezes, esta função seja compartilhada. Não esquecendo, porém, que também, a situações em que as mulheres escolhem se dedicar apenas ao lar, optando por não trabalhar, o que de maneira nenhuma reduz suas responsabilidades, pelo contrário, em tempos em que se é valorizado a independência feminina, essa opção também vem acompanhada de questionamentos.

Hoje, as mulheres devem dar conta de todas as suas novas responsabilidades, além de corresponder a uma imagem que se tem enraizada do ideal de mãe e de mulher, tudo isso mantendo sua feminilidade e correspondendo aos padrões impostos socialmente. Assim, as possibilidades de vivências das mulheres foram ampliadas, mas continuam acompanhadas das cobranças feitas tanto pela sociedade como também pela própria família, assim como no século XIX.

O resultado disso, é que as mulheres acabam cobrando a si mesma, por vezes “se deixando de lado”, em prol de dar conta de cumprir a tantos compromissos e satisfazer às expectativas geradas. Dessa forma, articular tudo isso, com a nova realidade que permeia esse existir feminino requer um verdadeiro malabarismo.

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A SUBJETIVIDADE FEMININA

 

A mulher passou, portanto, por várias transformações e obteve várias conquistas tanto no contexto profissional como pessoal. Com as novas possibilidades, a maneira como ela se organiza e o seu modo de existir também foram influenciadas por essas transformações. Assim, a mulher construiu novos significados para seu corpo e para sua subjetividade.

Mas mesmo assim, essa construção continua muitas vezes influenciada pelos ideais do passado, permeada pela obrigatoriedade de manter a feminilidade, fragilidade e submissão. A mulher, então, vivencia, por muitas vezes a dificuldade de transcender os ideais de ser mulher, de descobrir seu lugar no mundo e assim de definir uma nova subjetividade.

MAS O QUE É ESSA TAL SUBJETIVIDADE

 

Subjetividade é um modo pessoal e individual de ser, de agir, de pesar, de sonhar, etc. É um processo de construção individual, mas também social e histórica, se dá a partir das suas experiências com o mundo e com outras pessoas. Assim, a forma com que essas experiências são vivenciadas e organizadas acabam influenciando na constituição da subjetividade, que é permeada pelo que aprendemos na escola, com os amigos e com a família, por exemplo. Esse conceito vai de encontro com o que o filósofo moderno Merleau-Ponty chamou de “intersubjetividade”.

Simone de Beauvoir, disse que “Não se nasce mulher, torna-se mulher.” Mas o que isso significa?

Significa que a mulher não tem um destino natural ou biológico. Ser mulher, neste sentido, vai além do gênero de nascimento. O que acontece é, um contexto social e cultural, baseado em um discurso enraizado no qual a mulher teria um determinado papel a desempenhar é repercutido ao longo dos anos, a partir desse discurso definisse o que cabe ao ser feminina ou não.

Compete, portanto, a mulher transcender o papel que lhe foi imposto, descobrir qual forma de ser melhor a representa, melhor a satisfaz, fazendo as escolhas que melhor as convém.

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O QUE A TERAPIA PODE FAZER
PELA MULHER MODERNA?

 

Após isso tudo, podemos dizer que, a mulher contemporânea vive em período complexo, dividida em diversas possibilidades, em ambiguidades, diretos e deveres. Que ainda está à procura do seu lugar ou melhor dos seus lugares no mundo.

Encontrar esse lugar não é uma tarefa fácil e vem acompanhada por todos os desafios que já falamos. Nesse sentido, a terapia pode auxiliar as mulheres no autoconhecimento, a descobrirem de si mesmas, promovendo a busca pelo empoderamento de suas vidas.

Assim, com a multiplicidade de papéis a mulher moderna conquistou o poder de se inventar e reinventar, de escrever sua própria história, podendo realizar suas próprias escolhas, independentemente de quais sejam essas escolhas: trabalhar ou não, casar ou não, ter filhos ou não. O relevante aqui, portanto, é que não existe uma única forma de ser mulher, mas sim a possibilidade de cada mulher ser aquilo que deseja ser.

O modo de existir feminino torna-se, portanto, extremamente flexível para se adaptar as diversas possibilidades.

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Bruna Morgana Barão

Atuo como Psicóloga clínica, realizando atendimento fundamentados pela abordagem fenomenológico-existencial, com o objetivo de ajudar meus clientes a conhecerem a si mesmos, desenvolvendo sua autonomia e responsabilidade diante suas escolhas. A oportunidade de auxiliar meus clientes a evoluírem e descobrirem novas possibilidades para suas vidas, de modo que vivam melhor consigo mesmas é o que me motiva e me faz me apaixonar a cada dia mais por esta profissão (CRP 08/24541).