PSICÓLOGA HOSPITALAR FALA SOBRE A SAÚDE MENTAL E EMOCIONAL DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE

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Se você é profissional da saúde com certeza já passou por episódios fortes em sua rotina de trabalho que abalaram sua saúde mental. As dificuldades de um profissional da saúde começam pela responsabilidade pela vida do outro e passa pelo ambiente de trabalho imprevisível, a falta de aparelhos, vagas em leitos, elevada carga horária, lidar com a morte e angústias dos pacientes devido a própria doença podem tornar a rotina algo estressante e gerar sobrecarga emocional com o passar do tempo.

Gostaria de iniciar esse artigo com uma reflexão: O que motiva uma pessoa a ser um profissional da área da saúde? A maioria das respostas será em relação a ajudar o outro, seja em formas de promoção, prevenção e recuperação da saúde.

Agora faço outras perguntas: Mas esse profissional consegue olhar para si mesmo? Reconhece as suas dificuldades e até limitações diante das pessoas que estão a sua frente? Como se sente para lidar com a dor e sofrimento do outro? Sua forma de se expressar e se comunicar são adequadas?

O profissional que lida com a saúde está sujeito a muitos estressores, principalmente por ter que lidar com dois momentos: Vida e Morte.

Enquanto psicóloga hospitalar quero fazer uma reflexão sobre o tema, dar algumas orientações para profissionais da saúde. Também quero apresentar e demonstrar o valor do atendimento psicológico online para ajudar profissionais da saúde a manter a saúde mental e emocional no ambiente de trabalho.

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ADOECENDO
AO CUIDAR DA SAÚDE DO OUTRO

 

Alguns pontos que favorecem ao estresse e sobrecarga no ambiente de trabalho dos profissionais de saúde são: a rotina, jornada de trabalho, escassez de recursos nos serviços tanto público quanto privado, contato diário com o sofrimento, privação de sono, críticas, cobranças, perda da qualidade de vida, relacionamento difícil com chefia, situações de risco, entre outros.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde o estresse é uma epidemia global, já que se vive em tempo de muitas exigências, de atualizações e constantes necessidades de lidar com as informações. Assim, temos que lidar além das exigências no ambiente laboral, também as de caráter pessoal, como amigos, família e demais exigências, vontades e obrigações.

Cada indivíduo possui determinado limiar de tolerância ao estresse, passando a adquirir características negativas e prejudiciais para seu funcionamento emocional, comportamental e físico. Os pensamentos e emoções influenciam todas as nossas ações, por isso que é importante ter conhecimento sobre elas.

O estresse e a sobrecarga no ambiente de trabalho podem ser sentidos tanto da parte psicológica (insatisfação com o trabalho, ansiedade, depressão, irritabilidade) fisiológica (dor de cabeça, taquicardia) ou comportamental (absenteísmo, uso de bebidas alcoólicas em excesso). Podemos ver então que situações estressantes geram desgastes emocionais e físicos com manifestações desagradáveis, que podem com o seu agravo desencadear doenças.

COMO RECONHECER O ESTRESSE
NO AMBIENTE DE TRABALHO

 

Estar cansado em um dia ou outro é normal, mas quando pensar em ir trabalhar e isso ocasionar em sensações físicas que não eram habituais como dores de cabeça, dificuldade para dormir porque fica pensando em ir trabalhar no dia seguinte por não ter nenhum interesse ou motivação para o trabalho que executa, o cansaço se torna progressivo e constante.

E quando está no trabalho não conseguir se concentrar para realizar os procedimentos ou fornecer informações necessárias aos pacientes ou familiares, com postura de impaciência ou até mesmo irritabilidade, se você reconhece esses sinais talvez esteja apresentando esgotamento mental no trabalho.

A partir do momento que o trabalho se torna mais cansativo, que não consegue olhar as pessoas de forma empática, ou não encontra mais motivação no que executa é sinal de que algo está errado. Talvez seja o momento de procurar outras saídas, como ajuda profissional.

O estresse pode estar relacionado as demandas exercidas pelo cargo, quando não se encontram ajustadas as capacidades pessoais daquele trabalhador, que sente dificuldade para executar suas tarefas e muitas vezes sem recursos para enfrentar as adversidades ou imprevistos como é comum na área da saúde.

Existem alguns estímulos que podem maximizar o estresse, entre eles podemos citar:

  • Estímulos físicos (ex.ruído),
  • Temperatura inadequada,
  • Tarefas repetitivas,
  • Estímulos psicossociais (ex. medo de realizar algum procedimento incorreto),
  • Medo de punições e consequentemente perda do emprego,
  • Dificuldade de relacionamento com colegas de trabalho.

Um trabalhador que não encontra condições favoráveis e estimuladoras podem ficar desmotivados e insatisfeitos com seu papel profissional, e consequentemente gerar o que chamamos de síndrome de Burnout.

Leia também meu artigo 5 orientações para lidar de maneira assertiva com um diagnóstico grave.

 

BURNOUT
A DOENÇA DO ESGOTAMENTO PROFISSIONAL

 

O termo Burnout é de origem inglesa que faz referência a algo que deixou de funcionar devido a exaustão. Tem características ligadas a fatores de esgotamento emocional, mental e físico ligados ao ambiente laboral.

É um problema que tem grande prevalência com profissionais de saúde, uma vez que esses profissionais estão em constante pressão, com atividades voltadas para os cuidados com os outros, tanto com o paciente quanto com a família que devido a angústia de estar em um ambiente tão diferente e assustador, se torna solicitante ou até mesmo com irritação.

Na síndrome de Burnout a pessoa perde a capacidade de compreender o sentimento ou a ação ou reação da outra pessoa, que resulta na falta de compreensão emocional das pessoas que estão a sua volta. Não apresenta empatia por qualquer pessoa ou situação, se torna distante.

Essa síndrome se manifesta por três componentes:

1
EXAUSTÃO EMOCIONAL

 

Normalmente é o traço inicial de que algo não está bem, com sentimentos de fadiga e redução dos recursos emocionais necessários para lidar com a situação estressora. Pode ser física ou psíquica.

Física: Fadiga constante e/ou progressiva; distúrbios do sono; dores musculares; dores de cabeça; disfunções sexuais, entre outras

Psíquica: Falta de concentração e atenção no trabalho executado; pensamento mais lento; baixa auto-estima; irritabilidade; sensação de menos valia; desânimo; depressão, entre outras.

2
DIMINUIÇÃO DA REALIZAÇÃO PESSOAL

 

Percepção de não se sentir capaz profissionalmente para aquele cargo ou aquela situação, falta de satisfação com as realizações e os sucessos de si próprio no trabalho.

A pessoa só consegue fazer uma autoavaliação negativa sobre si associada à insatisfação e ao desânimo com o trabalho.

3
DESPERSONALIZAÇÃO

 

O profissional se torna insensível frente ao sofrimento da outra pessoa que necessita de sua ajuda, com falas rudes, cínicas, céticas e despreocupado com o que a outra pessoa pensa. Trabalha de forma automática.

Portanto, o que fica claro é que todos esses componentes quando atingem uma pessoa, se tornam fatores preocupantes por causar danos a saúde mental do trabalhador, que implica em consequências negativas também aos que recebem cuidados desses profissionais de saúde.

 

TRABALHO, TRABALHO E TRABALHO…

 

Como em qualquer profissão é muito importante ter o momento de descanso, procurar formas de lazer com família, amigos ou até mesmo sozinho, como a leitura de um livro. É importante não sobrecarregar a rotina diária com preocupações, isso só vai deixa-lo mais ansioso.

Respeite a carga horária de trabalho, realize planejamento do seu tempo para não haver auto-cobranças negativas e gerar como consequência a desmotivação. O importante é sair da rotina de trabalho, trabalho e mais trabalho.

É preciso valorizar sua saúde mental, física e emocional, se permita amar em todos os sentidos, ter esperança em novas metas e conquistas, planejar momentos entre amigos e familiares, dar um tempo para aquele hobby que antes era tão prazeroso e agora está esquecido. Faça planos.

Pense: Minha vida está do jeito que eu gostaria? O que eu posso fazer para mudá-la? O que me desagrada e o que me agrada? O que eu ainda não faço mais gostaria de estar fazendo?

Refletir é um passo importante para o autoconhecimento.

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ORIENTAÇÃO PSICOLÓGICA ONLINE
CUIDADO COM A SAÚDE MENTAL

 

Se você se identificou com algum ponto dessa leitura, acredita que o trabalho está cansativo, que seu desempenho profissional está sendo diferente do que já foi um dia, se apresenta sintomas físicos ou emocionais desgastantes, talvez esteja na hora de procurar ajuda de um psicólogo e cuidar da sua saúde mental, não acha?

Realizar orientação psicológica online tem os benefícios de você, profissional da saúde, poder conversar sobre suas dificuldades do trabalho dentro do ambiente mais seguro que existe: sua casa! Que as vezes é o lugar que você mais gostaria de estar, mas é no trabalho que você passa o maior tempo do dia.

Será um lugar que poderá falar sem cobranças, de tudo que te desmotiva e causa sofrimento. Nenhuma situação é sem saída, basta encontrar outros caminhos para se tornar novamente produtivo e feliz com a profissional que escolheu.

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Daniela Simões

Sou psicóloga, com aprimoramento profissional em psicologia da saúde, possuo especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente, faço acompanhamento psicológico a pacientes em internação domiciliar em um programa federal na cidade de São Paulo. O papel fundamental da psicoterapia é proporcionar o autoconhecimento, uma atenção as nossas emoções, sentimentos e comportamentos, já que muitas vezes não sabemos lidar com os estresses e sobrecargas diárias. Permita-se um cuidado diferenciado a você. Acredite no seu potencial, afinal as mudanças ocorrem quando decidimos que podemos melhorar cada dia mais. (CRP 06/98633)