O QUE É E O QUE NÃO É BULLYING: 5 SITUAÇÕES QUE NOS FAZEM ENTENDER NA PRÁTICA

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Bullying. Basta apenas pronunciar a palavra para pipocarem as opiniões de prontidão, sacadas, engatilhadas e disparadas com mais velocidade e precisão que as balas de Clint Eastwood nos filmes de velho-oeste: “isso é frescura!”, “no meu tempo não tinha nada disso!”, “qualquer briguinha na escola agora virou um problemão!”.

Bom, velocidade talvez tenham, mas a precisão do lendário “Pistoleiro sem nome” certamente não, afinal, o fenômeno social conhecido como bullying é de fato um problema grave no mundo inteiro.

Uma pesquisa realizada pelas Nações Unidas no ano de 2016 com 100 mil crianças e jovens de 18 países mostrou que, em média, metade deles (no Brasil, um número um pouco menor de 43%) sofreu algum tipo de bullying por razões como aparência física, gênero, orientação sexual, etnia ou país de origem.

Se você se interessa pelo assunto por ser um pai/mãe/responsável ou trabalha na educação. Vem comigo nessa leitura que, enquanto psicólogo com experiência e foco de estudos nessa área, irei falar sobre a definição de bullying e dar 5 exemplos práticos.

MAS AFINAL QUAL A DEFINIÇÃO DE BULLYING?

 

Porém não são todos os que definem suas opiniões através desses preconceitos conservadores instantâneos, felizmente. Através da minha prática, que incluiu contato com o ambiente escolar, percebi que as pessoas tem deixado de simplesmente negar o bullying, mas ainda não sabem discernir muito bem o que pode ser considerado ou não como bullying.

Da maneira mais simples e direta(mas também superficial)
possível, bullying é a agressão sistemática entre pares
no ambiente escolar.

O conceito, suas raízes e origens, suas implicações dentro e fora do ambiente escolar, ainda está se construindo e se estudando melhor, de maneira que poderíamos nos aprofundar muito mais em sua discussão, utilizando um ponto de vista mais teórico, filosófico e social.

No entanto, para você que tem um filho na escola que pode estar passando por uma situação de bullying, ou que é profissional da educação e não tem segurança ainda para identificar a ocorrência no dia a dia, vamos ilustrar algumas situações comuns e genéricas e tentar chegar a um “veredito” para saber se, afinal, isso é ou não bullying.

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O QUE É E O QUE NÃO É BULLYING:
5 SITUAÇÕES QUE NOS FAZEM ENTENDER NA PRÁTICA

1
QUANTO OCORREM CONFLITOS CONSTANTES QUE OFENDEM UMA PESSOA

 

Esse é o caso mais usado como exemplo. Imagine uma criança que é constantemente xingada, ou possui um apelido que não gosta, podendo partir de um único colega ou de mais pessoas e que isso ocorra repetidamente durante um longo período de tempo.

Alguns casos podem incluir brigas constantes, furtos, chantagens, fofocas, etc. Devido à crescente atenção midiática em jornais e filmes, por exemplo, esse tipo de caso tem sido facilmente identificado. – É BULLYING

2
QUANDO A PESSOA NÃO SE SENTE OFENDIDA

 

Aqui começam as divergências e confusões. Imagine o mesmo tipo de cenário que foi descrito no caso acima. A única diferença dessa vez é que a suposta “vítima” aparentemente não se sente ofendida ou incomodada com a situação.

Essa situação é comum, e muitas vezes pais e professores estão cientes mas não dão atenção ao caso justamente por observarem que a “vítima” não está sofrendo. A primeira problemática se dá, na impossibilidade de se ter certeza que a vítima realmente não está sofrendo, afinal é comum as próprias vítimas negarem a existência da situação ou aceitarem que elas merecem aquele tratamento.

Imagine uma criança, por exemplo, que é apelidada sistematicamente de “burra”, e com o tempo aceita a situação sem sofrimento, mas internaliza a crença de que ela é de fato “burra”, o que vai fazê-la perder interesse nas tarefas escolares e levar uma dificuldade de aprendizado para o resto da vida. Para entender, por fim, a situação em que o alvo não sofre, basta fazer uma simples analogia, imagine que uma pessoa levasse um tiro mas não sentisse dor alguma, poderia considerar-se uma agressão? É BULLYING!

3
QUANDO O AGRESSOR NÃO É UM ALUNO

 

Já vimos acima que bullying é a agressão sistemática ENTRE PARES, ou seja, de alunos com alunos. Isso significa que quando o agressor é por exemplo um professor (algo que não é tão incomum quanto muitos imaginam), não se caracteriza como bullying.

Porém, essa é uma questão puramente técnica e teórica (para fins depesquisa), e não significa que esse tipo de atitude por parte de um professor ou outro profissional seja correta ou boa.

Ao contrário, além de ser uma forma de violência talvez ainda mais grave, por se tratar de uma figura de autoridade, também pode facilitar a ocorrência de bullying (um professor ao apelidar ou tirar sarro de um aluno por exemplo, influencia os outros alunos a fazerem o mesmo). NÃO É BULLYING!

4
QUANDO A AGRESSÃO NÃO É DELIBERADA

 

Outro caso comum é quando o(s) agressor(es) não estão proposital e conscientemente tentando prejudicar ou ofender a vítima. Essa é uma das defesas mais utilizadas por alunos e pais para tentar apaziguar a situação de bullying.

Primeiramente, assim como o sofrimento da vítima, a intencionalidade do agressor nunca poderá ser determinada com total segurança. Porém, mais importante é entender que a falta da intenção não ameniza as consequências negativas da situação, embora haja sim diferenças em como lidar com ela. É BULLYING!

5
SITUAÇÕES OCASIONAIS

 

Apelidos, brigas, fofocas e brincadeiras são comuns no ambiente escolar, mas muitas vezes apenas se tornam de conhecimento dos adultos (pais e profissionais) quando tomam proporções ou consequências maiores.

Porém, algo muito importante na definição de bullying que vimos é a frequência, ou seja, a repetição da situação em um longo período de tempo.

Os conflitos devem ser manejados de acordo com suas características, mas bullying não é o conflito pontual, mas sim a situação em que se somam vários conflitos ao longo do tempo com as mesmas vítimas e agressores. Para ser considerado bullying, não é a intensidade que importa, mas sim a frequência. NÃO É BULLYING!

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PARA PAIS E FILHOS

 

Essas foram as cinco situações mais básicas que pensei para ajudar a definir na prática o que pode e o que não pode ser considerado bullying. Que outras situações você tem dúvida ou acha que poderiam estar nesse artigo?

Já passou por uma situação parecida ou tem alguém próximo que esteve envolvido em um caso de bullying? Comente aí embaixo deixando a sua opinião e contribuição para o debate do tema!

O bullying é o um problema social real e como profissional da psicologia me deparo com ele tanto na atuação escolar quanto na clínica. Aqui no Terapia de Bolso, tenho disponibilidade para realizar aconselhamento de adolescentes, orientação de pais e atendimento individual voltados para essa problemática, além de outras.

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Marco Ricardi de Abreu

Realizo atendimento clínico particular em São José do Rio Preto/SP tendo como principal referencial teórico para essa prática a Esquizoanálise de Giles Deleuze e Félix Guatarri. Através dessa abordagem busco oferecer um atendimento que aumente a potencialidade da pessoa, ou seja, que a ajude a se desenvolver como indivíduo por meio de uma visão integradora das partes emocionais, biológicas e sociais que o compõe. Tenho experiência em trabalhos individuais, em grupos, instituições e organizações. (CRP 06/143002 )